quarta-feira, 7 de junho de 2017

O adversário ideal

Há dias, num ambiente empresarial, discutia-se a questão de saber com quem seria mais fácil discutir um contrato: se com alguém fragilizado por um débil apoio entre aqueles que representa ou se com uma pessoa que tem, atrás de si, o conforto de uma posição sólida. 

A questão coloca-se à Europa, a propósito do Brexit. Seria melhor discutir as condições de separação com um governo de Theresa May com fraco poder, debilitado por uma eleição que não correu à altura do esperado ou com uma primeira-ministra forte, após uma grande vitória, com uma voz poderosa e tendo um país unido atrás de si?

O problema não parece pôr-se: o governo britânico não parece ter condições para poder vir a obter, nas eleições legislativas de amanhã, um resultado à altura das expectativas que tinha, quando decidiu convocar o sufrágio. Será assim uma Theresa May mais enfraquecida que os restantes líderes europeus, nos próximos anos, irão ter do outro lado da mesa. Ora a História prova que um interlocutor forte, não obstante poder ser um adversário muito exigente, é também aquele que tem autoridade para poder "vender" mais facilmente recuos ou concessões a que uma negociação sempre obriga. Por isso, e ironicamente, um expectável resultado menos bom para os conservadores pode acabar por não ser uma boa notícia para a Europa.

4 comentários:

Luís Lavoura disse...

"vender" mais facilmente recuos ou concessões a que uma negociação sempre obriga

Mas não é preciso vender nada, porque os próprios britânicos estão altamente desunidos nesta questão!!!

Ou seja, se um qualquer governo britânico resolver de alguma forma recuar, terá ainda assim amplo apoio popular.

A linha dura que Theresa May tem tomado não é de forma nenhuma consensual no Reino Unido. Se ela tomasse uma linha menos dura, ou mais mole, teria amplo apoio e não precisaria de vender nada.

Anónimo disse...

Conforme aqui antes profetizei Trump ia ser eleito, o Brexit ganharia e o RU terá uma coligação Jerry-Gonça Labour-SNP-LD.
O RU não vai sair da UE, como sempre disse.

Anónimo disse...

Theresa May: mais uma "senhora" em lugar de destaque. O corrente discurso feminista de que as mulheres trazem algo de "diferente" e "melhor", mais uma vez, é contrariado.

Carlos disse...

Subscrevo em grande medida o comentário do embaixador embora reconheça que a postura negocial do Reino Unido pelo menos a julgar pelos dados conhecidos (a realidade da negociação envolve nuances que muitas vezes não transpiram para o exterior) nunca se destacou por uma grande flexibilidade e abertura. A este propósito vem-me à memória o slogan da Sra Thatcher "I want my money back!"